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| Uso seguro e melhores
práticas |
ATELIER PANAMÉRICAIN DE 1998 SUR LUTILISATION SÉCURITAIRE
DES MINÉRAUX ET DES MÉTAUX
RESUMO EXECUTIVO
Introdução:
Em novembro de 1997, quinze Ministros das Minas das Américas
assinaram no Peru a Declaração de Arequipa, na qual indicaram sua anuência, entre
outras coisas, em trabalhar com uma abordagem comum e coordenar políticas sobre o uso
seguro de minerais e metais.
Em resposta à Declaração de Arequipa, o Canadá e o Peru
co-patrocinaram, com o Chile e a Argentina, o Workshop Pan-americano sobre o Uso Seguro de
Minerais e Metais para chegar a um entendimento comum dos princípios para a produção e
uso seguros de minerais e metais, e dar início ao processo de desenvolvimento de uma
abordagem comum e políticas de coordenação. Um comitê diretivo composto de quatro
países foi estabelecido e o workshop foi realizado em Lima, Peru, de 1 a 3 de julho de
1998. Cerca de 100 participantes de 14 países e organizações internacionais
participaram do evento representando governos, empresas do setor e organizações não
governamentais.
O workshop foi dividido em três sessões que se
desenvolveram ao longo de um período de dois dias e meio e incluíram apresentações
feitas por peritos sobre tópicos relacionados à produção e ao uso seguro de minerais e
metais. A primeira sessão, intitulada Minerais, Metais, Mercados e Desenvolvimento
Social, foi dedicada a destacar alguns dos desafios mundiais enfrentados pelo
desenvolvimento sustentável de minerais e metais, incluindo questões relacionadas aos
mercados globais e ao comércio, expectativas ambientais e necessidades sociais. A segunda
sessão, intitulada O Princípio do Uso Seguro e seus Elementos, concentrou-se nos
principais elementos do princípio do Uso Seguro e incluiu temas como o ciclo de vida dos
minerais e metais, a importância da identificação adequada dos perigos, das práticas
de avaliação e do gerenciamento de riscos. Na terceira sessão, intitulada Uso Seguro em
Prática: Estudos de Casos, houve enfoque em apresentações de representantes do setor
sobre os esforços das suas empresas para implementar melhores práticas relacionadas à
produção e ao processamento seguros de minerais e metais, administração de produtos,
iniciativas de reciclagem, práticas de gestão ambiental bem fundadas e relações
comunitárias.
A manhã do terceiro dia foi reservada para debater sobre os
assuntos e questões considerados durante os dois dias de apresentações, para explorar a
definição de uso seguro, bem como os papéis dos governos, do setor, dos trabalhadores,
dos pesquisadores, dos cientistas e das organizações não governamentais, incluindo
comunidades, que precisam ser envolvidos na implementação da produção e uso seguros de
minerais e metais.
Conclusões principais:
A produção, utilização, reutilização e reciclagem de
minerais e metais são de importância fundamental no desenvolvimento econômico das
sociedades, constituindo atividades significativas na criação de riquezas e empregos nas
nações. O setor de minerais e metais pode fornecer a base econômica para que os países
realizem suas aspirações sociais, incluindo a diminuição da pobreza, o desenvolvimento
da infra-estrutura, a educação e o treinamento. Este desenvolvimento precisa ser
alcançado de uma maneira sustentável e responsável, considerando apropriadamente os
aspectos sociais, ambientais e econômicos.
Em geral, o mundo evoluiu em direção à globalização, e a
promoção do comércio internacional e dos investimentos estrangeiros tornou-se um dos
principais elementos das estratégias para o desenvolvimento econômico. Isto terá, sem
dúvida, um impacto no setor de minerais e metais, o qual produz numerosas mercadorias. As
barreiras tradicionais para o movimento de bens, serviços e indivíduos estão sendo
eliminadas. Ao mesmo tempo, blocos de comércio regionais estão sendo estabelecidos em
áreas de interesse comum significativo. Entretanto, à medida que essas barreiras
tarifárias ao comércio são removidas, interesses concorrentes encontraram abordagens
mais inovadoras para proteger seus mercados. Uma dessas áreas que está recebendo cada
vez mais atenção é a área de proteção ambiental. A tendência internacional em
certos foros está voltada para mais controles ambientais e restrições no uso de
substâncias químicas, incluindo minerais e metais (inorgânicos), em alguns casos sem
provas científicas adequadas. Esta é uma questão importante porque pode ter um impacto
negativo e significativo no uso de minerais e metais em suas múltiplas aplicações e nos
mercados. É necessário que os governos trabalhem para obter uma melhor compreensão dos
aspectos sociais, econômicos e ambientais dos minerais e metais, e para responder às
atividades que poderiam restringir inadequadamente o acesso aos mercados.
É necessário que todos os países participem em foros
internacionais relacionados aos minerais e metais para debaterem suas posições e
prioridades nacionais. Isto indica que os governos devem promover a participação ativa e
coordenar o desenvolvimento de posições nacionais, as quais devem ser baseadas em
aspectos econômicos, ambientais e sociais. Esta posição deve ser o resultado de um
processo de consulta junto a todas as organizações governamentais e não governamentais
que representam as partes interessadas. As posições nacionais devem refletir as
prioridades locais e regionais, as quais não são necessariamente as mesmas em outros
lugares do mundo.
Reconheceu-se que os mercados internacionais estão em
constante mudança. Os consumidores não estão apenas preocupados sobre a qualidade e o
custo dos produtos que utilizam, mas também estão cada vez mais preocupados com a
segurança e os possíveis efeitos adversos que tais produtos podem ter sobre o meio
ambiente. Esta tendência refletiu-se na comercialização de "produtos verdes",
utilização de "rótulos ecológicos", em análises de ciclo de vida e na
adoção de padrões internacionais ou códigos de prática, como o ISO 14000, pelo setor.
Assim como os governos, o setor da mineração precisa estar ciente dessas tendências e
participar no desenvolvimento de padrões internacionais que melhor reflitam as
condições e prioridades relacionadas às suas operações.
Durante a última década, o princípio precautório tem sido
cada vez mais utilizado como um mecanismo decisório para responder às preocupações
ambientais. Isto leva à necessidade de assegurar que as evidências científicas
requeridas estejam disponíveis e que esta informação chegue tanto aos regulamentadores
quanto aos consumidores, possibilitando que as decisões apropriadas sejam tomadas. Em
geral, o entendimento científico dos minerais e metais e de seus compostos ou ligas
precisa ser melhorado, levando em conta as características específicas que resultam da
consideração da geologia regional/local e do ambiente físico, bem como as prioridades
locais/regionais. Todos os países das Américas precisam apoiar e levar a cabo esta
pesquisa, incluindo o desenvolvimento de suas capacidades científicas nacionais.
O uso seguro de minerais e metais requer uma abordagem
baseada em riscos durante as várias etapas do ciclo de vida para atender aos objetivos
sociais e de gestão ambiental. É necessário identificar apropriadamente as
características do perigo e realizar avaliações de riscos, análises de
risco-benefício e implementar opções relevantes de gerenciamento de riscos. O uso da
palavra "seguro", neste contexto, não é para significar segurança absoluta ou
livre de riscos, mas algo dentro dos limites aceitáveis para a sociedade e coerente com
os princípios de desenvolvimento sustentável, ou seja, grandes benefícios e baixo
risco. Reconhecendo que os minerais e metais são substâncias inorgânicas naturais que
apresentam comportamentos diferentes das substâncias orgânicas, eles requerem
metodologias apropriadas para a avaliação e o gerenciamento de riscos. Entre outros
fatores, as questões de toxicidade, biodisponibilidade e especiação dos minerais e
metais devem ser apropriadamente consideradas. Os governos devem considerar a
possibilidade de requerer à OCDE, em cooperação com outros países interessados que
não integram a OCDE, o desenvolvimento de testes específicos e outros critérios
aplicáveis a substâncias inorgânicas, como os minerais e metais.
A reciclagem também é um componente fundamental para o uso
sustentável dos minerais e metais. Os materiais reciclados representam uma fonte
secundária vital de fornecimento que estende o ciclo de vida desses materiais, reduz o
volume de materiais descartados em aterros e proporciona economia de energia. As
atividades sustentáveis de reciclagem requerem sistemas de coleta eficientes e eficazes,
tecnologias ambientais e econômicas para a separação e recuperação de produtos, e a
capacidade para comercializar os materiais recicláveis como bens comerciais.
Em alguns casos, as propostas para ação são baseadas mais
nos riscos perceptíveis do que em bases científicas, portanto, uma melhor comunicação
e um melhor entendimento dos riscos ajudarão no processo decisório relacionado ao uso
seguro dos minerais e metais. É muito importante levar em conta as percepções usando
boas informações científicas para a comunicação de riscos, bem como fornecer a
educação e o treinamento necessários para tratar dos riscos reais e minimizá-los. Este
trabalho melhorará a eficiência e a eficácia no processo decisório relacionado ao
gerenciamento de riscos e reduzirá o potencial de restrições inadequadas ou onerosas no
uso de minerais e metais.
Todas as partes interessadas relevantes precisam ser
construtivamente envolvidas no processo decisório para melhorar o desenvolvimento de
políticas e a implementação de atividades relacionadas ao uso seguro ao nível do setor
de minerais e metais. Elas poderiam incluir, entre outros: governos, indústria,
trabalhadores, acadêmicos, comunidades locais, organizações não governamentais,
consumidores, instituições científicas e organizações internacionais. Houve consenso
sobre a necessidade de desenvolver uma rede para compartilhar informações científicas,
técnicas e práticas recomendáveis como uma ferramenta útil para todas as partes
interessadas envolvidas.
Em resumo, há uma necessidade de reconhecer o importante
papel que os minerais e metais têm na sociedade, não apenas como propulsores econômicos
para o desenvolvimento, mas também para melhorar a qualidade de vida. O uso seguro e a
produção de minerais e metais podem ser realizados de uma maneira sustentável, dando-se
consideração apropriada aos aspectos ambientais, econômicos e sociais. É necessário
enfatizar publicamente os benefícios sociais, nacionais e regionais, incluindo a
geração de empregos e o desenvolvimento da infra-estrutura, oriundos da exploração,
produção e uso seguros e reciclagem dos minerais e metais. O princípio do uso seguro
pode contribuir para o gerenciamento responsável dos minerais e metais a cada etapa ao
longo do seu ciclo de vida, bem como ajudar a maximizar os benefícios, minimizando ao
mesmo tempo os riscos. O setor, em particular, precisa demonstrar a capacidade de
administrar seus produtos e a maneira como são produzidos e utilizados. É também
necessário uma melhor compreensão dos fatores que incentivam ou impedem a aplicação do
princípio do uso seguro, que seja coerente com os princípios de desenvolvimento
sustentável.
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